
Aristóteles, Robert Boyle, Lewis Carrol, Charles Darwin, Moisés, Marylin Monroe, Isaac Newton, Theodore Roosevelt, Virgílio, Rei Jorge VI, Winston Churchill. O que estas pessoas que viveram em épocas tão diferentes e desempenharam funções tão distintas podem ter em comum? Todos eram gagos. Apesar de sofrerem de uma disfunção da fala, nem por isso deixaram de ter uma carreira promissora e entraram para a história universal.
No próximo dia 22 de outubro, sábado, será comemorado o Dia Internacional de Atenção à Gagueira, que este ano tem como tema "Gagueira não tem graça. Tem tratamento".
A gagueira é uma interrupção no fluxo normal da fala que se caracteriza por repetições de sons, sílabas e palavras; prolongamentos de sons; bloqueios e pausas. O foco central da campanha é combater a discriminação e conscientizar a todos de que a gagueira é um distúrbio da comunicação e tem tratamento. Tampouco aqueles que sofrem com a gagueira devem ser sentir inferiorizados e ou prejudicados por conta do problema. O exemplo dos personagens bem-sucedidos comprova que o distúrbio não é empecilho para o sucesso profissional. Conhecer a gagueira deve ser o ponto de partida para superar os obstáculos.
O Dia
Como atividade ilustrativa da semana que antecede o Dia Internacional de Atenção à Gagueira (22 de outubro), professores e alunos do curso de fonoaudiologia da Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto) realizam hoje um plantão de dúvidas sobre a gagueira. Durante todo o dia (das 8h às 12h e das 13h às 17h), eles estarão à disposição na clínica de fonoaudiologia da Universidade para esclarecer dúvidas e orientar sobre os tratamentos da disfluência. Os alunos e professores do curso também desenvolveram uma cartilha que traz informações sobre o que é a gagueira, como percebe-la e o que fazer para trata-la. O manual também fornece dicas para auxiliar na comunicação de quem sofre de gagueira.
Gagueira tem cura
A coordenadora do curso de fonoaudiologia da Unaerp, Patrícia Mandrá, orienta que a gagueira pode ser curada. O tratamento é feito com fonoaudiólogo e em alguns casos, até por uma equipe multidisciplinar, que envolve também psicólogos e outros especialistas. "A cura é obtida dentro do nível de disfluência de cada paciente. Os resultados do tratamento também dependem da idade com que se diagnostica a gagueira e da época em que se inicia o tratamento", informa a fonoaudióloga. No Brasil não há dados sobre a incidência da gagueira. O distúrbio afeta indivíduos de qualquer faixa etária.
Nos Estados Unidos, sabe-se que 20% da população é gaga e que 71% das crianças em idade pré-escolar possui algum distúrbio de comunicação, que pode ser tanto gagueira como distúrbios de audição, de fala ou de linguagem.
Curiosamente, a gagueira afeta mais homens do que mulheres. Os indivíduos com gagueira podem ser divididos em dois grupos: os que possuem gagueira em decorrência de aspectos emocionais e ambientais e aqueles que têm uma pré-disposição genética. No primeiro caso, o distúrbio é causado por um estresse comunicativo. "Isso acontece quando a mãe corrige a criança cedo demais ou em excesso ou quando é um adulto que fala errado e é bastante repreendido", explica Patrícia. Com relação ao componente genético, Patrícia destaca que há famílias que registram inúmeros casos de gagueira decorrente de uma falha no processamento neuro-muscular. "Mas não se sabe o porquê isso acontece", informa. O recomendável, em todos os casos, é que a família ou o paciente procure orientação de um fonoaudiólogo.
Paliativo
A coordenadora do curso de fonoaudiologia da Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto), Patrícia Mandrá, dá algumas dicas de como lidar com a gagueira. "Estas dicas são para ajudar o sujeito gago e sobre quando procurar o tratamento adequado, que deve ser sempre acompanhado por um fonoaudiólogo", ressalta.
Método
Dicas para quem gagueja
Dicas para você colaborar com uma pessoa que gagueja
Quando procurar um fonoaudiólogo?
Fonte: Jornal A Cidade (Ribeirão Preto - SP)
Data: 20/10/05