Dia Internacional de Atenção à Gagueira - 22 de outubro

Fórum On-Line

De 16 a 22 de outubro de 2005


GAGUEIRA: UMA, DENTRE AS POSSÍVEIS ABORDAGENS PSICANALÍTICAS

Maria Claudia Cunha*


Na fronteira entre as campos psicanalítico e fonoaudiológico estabelece-se um vastíssimo território, um espaço profícuo para reflexões teórico-metodológicas acerca da clínica da linguagem. É nesta perspectiva que este trabalho aborda o sintoma da gagueira, a saber: como uma manifestação na linguagem, dotada de um sentido latente de ordem psíquica inconsciente. Mais: na indissociabilidade da relação corpo-mente, forte pressuposto da teoria psicanalítica, fatores de ordem orgânica (neuro-anatômicos, fisiológicos e genéticos) não ficam excluídos da etiologia dessa formação sintomática.

Contudo, aqui o tema será abordado a partir de fragmentos de casos clínicos, que ilustram cinco proposições teóricas

Em síntese: os segmentos discursivos onde o sintoma da gagueira se manifesta afetam a escuta terapêutica, sinalizando a clivagem consciente-inconsciente do sujeito e possibilitando aí, interpretações clínicas que consigam ir além das dimensões motora, perceptual e linguística.

Objetivando as conseqüências clínicas dos itens acima referidos, temos respectivamente:

Para concluir, retomemos as referências teóricas, tomando a gagueira como um sintoma neurótico (o retorno do recalcado) e o gaguejar como uma atuação psicopatológica (o acting-out) peculiar e específica, que se serve da e incide na linguagem. O que, em última instância, me propus a sugerir foi a indissociabilidade da relação corpo-mente, como pressuposto do método clínico fonoaudiológico. O sintoma da gagueira não é o único, mas é um lugar didaticamente privilegiado para essa reflexão. Isso se dá, ao meu ver, pelo seu indiscutível caráter instável, quase anárquico, que insiste em desafiar e angustiar tanto clientes quanto terapeutas, a saber: um corpo que sofre também pelas vicissitudes do seu inconsciente. Para tal, a Psicanálise não é a única, mas é companheira exemplar.

A duração do processo terapêutico é imprevisível em tal abordagem, centrada nos conteúdos transferenciais mobilizados pelo vínculo terapêutico que acarretam diferentes graus de resistência por parte de cada paciente. Por sua vez, a habilidade (teórico - metodológica) do fonoaudiólogo em produzir efeitos interpretativos no contexto dialógico terapêutico associada a técnicas sensoriais, cinestésicas, cenestésicas e lingüísticas, pode abreviar o tratamento. Contudo, é fundamental que se atente para o fato de que a redução/supressão do sintoma (gagueira) não deve promover deslizamentos sintomáticos que venham a incidir sobre outros níveis do funcionamento da linguagem.


*Maria Claudia Cunha é fonoaudióloga (CRFa 4276/SP), doutora em Psicologia Clínica pela PUC - SP, professora titular do Departamento de Clínica Fonoaudiológica da Faculdade de Fonoaudiologia da PUC - SP, docente e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia da PUC - SP e organizadora e autora de livro, autora de capítulos e artigos científicos.

Perguntas-Respostas


Nome ou iniciais: FLAVIA
Cidade: cabo frio
Profissao: fonoaudiologa
Pessoa que gagueja: nao
Familiar de pessoa que gagueja: nao

boa tarde.
você poderia dar um exemplo prático de cada técnica mencionada? (sensorial, cinestésico, cenestésico e lingüístico)
obrigada.

Prezada Flávia,
As técnicas referidas são aquelas que, tradicionalmente, compõem o método clínico fonoaudiológico, a saber:

Com relação a "exemplos práticos" eles estariam vinculados às especificidades de cada caso clínico. Logo, é impossível, na minha abordagem, generalizá-los.
1 abraço
Claudia

ATENÇÃO

Procure um fonoaudiólogo especializado em gagueira.


Materiais

Mensagem à população

Folder


Para saber mais sobre gagueira

Aceitação da gagueira

O tratamento do adulto gago

Gagueira e comunicação humana

Gagueira infantil

Fatos sobre gagueira

Causas da gagueira

Terapia de fala

Risco para gagueira crônica

Pesquisa básica

Bases neuronais e tratamento


No Mundo

8ª conferência online mundial

Copyright © 2005 Associação Brasileira de Gagueira - ABRA GAGUEIRA

abragagueira@abragagueira.org.br