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Sobre a gagueira, preconceito e fonoaudiologia (Legislação Brasileira)

terça-feira, 6 de outubro de 2009



As Assembléias Legislativas de MS e RS estão discutindo, nesse momento, um projeto de lei, apresentado respectivamente pelos deputados Diogo Tita e Cassiá Carpes, que visa à concessão de um desconto de 50% em tarifas telefônicas, para os cidadãos daqueles estados, portadores de distúrbios na fluência e na temporalização da fala.

Como não poderia deixar de ser, esse assunto entrou na pauta das pessoas que gaguejam e dos profissionais da área, fazendo com que se posicionassem, nos permitindo assim, entender um pouco mais do distúrbio que nos aflige e do modo como é visto pela sociedade.

Nesse sentido, as manifestações de alguns profissionais se mostram emblemáticas ao escancarar o preconceito dirigido às pessoas que gaguejam, e a leviandade com que o assunto gagueira ainda é tratado em alguns setores da fonoaudiologia.

A nossa Constituição Federal consagra o princípio da isonomia, que reza que todos são iguais perante a lei na medida de sua igualdade, e desiguais na medida de suas desigualdades. Considerando que a pessoa que gagueja leva mais tempo para falar em relação às demais, o projeto, em uma medida de acessibilidade, busca garantir que, na transmissão da mesma informação, todos paguem o mesmo preço, promovendo a igualdade de condições entre os seus cidadãos. Simples e justo.

Embora o projeto não especifique, a boa lógica indica que alguém tem que pagar mais, para que nós gagos possamos pagar menos. Era de se esperar, portanto, que a reação a ele partisse das pessoas sem qualquer ligação com o distúrbio, e que estas pessoas, listassem contra ele seus argumentos, os quais, convenhamos, são muitos e legítimos.

Surpreendentemente, a reação surge no meio fonoaudiológico, que teoricamente deveria estar do nosso lado, e, mais surpreendente ainda, sob pelo menos dois argumentos muito estranhos:
- o benefício pode fazer com que a pessoa que gagueja se acomode à sua condição e deixe de buscar tratamento;
- a gagueira não é uma deficiência.

Embora não duvide das boas intenções das pessoas que proferiram tais argumentos, considero ambos levianos, preconceituosos, e ofensivos à pessoa que gagueja. Trata-se de teses generalizantes, que, partindo de uma visão subjetiva que estes profissionais construíram do gago, atribuem a todos nós que gaguejamos, as características próprias de uma visão deturpada de quem gagueja: uma pessoa acomodada e incapaz de tomar, por si só, a decisão de buscar um tratamento e melhorar sua condição.
Ora, essas ideias propagam a falsa premissa de que só é gago quem quer, deixando de considerar aspectos relevantes do tema, que, por obrigação, os profissionais da área têm de conhecer:
 O tratamento fonoaudiológico chega apenas a uma pequena parcela dos dois milhões de gagos brasileiros;
 Os fonoaudiólogos (salvo raríssimas exceções) não estão preparados para atender a pessoa que gagueja;
 A gagueira tem gradações que a caracterizam desde levíssima até muito severa;
 Em adultos, principalmente, o tratamento fonoaudiológico SÓ pode fazer com que esta gradação se altere, ou seja, ESPERA-SE que o sujeito vai gaguejar menos após o tratamento, porém vai continuar gago, e a gradação ao final do tratamento depende da severidade inicial;
 Existem gagos que não respondem ao tratamento fonoaudiológico, ou seja, podem iniciar e terminar o tratamento com a mesma severidade em sua gagueira;
 A gagueira é considerada uma deficiência na fluência da fala pela Organização Mundial de Saúde (CIF Código b3300);
 As deficiências são definidas em função de sua gradação. Por exemplo, só é considerado deficiente auditivo aquele que apresenta perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz (Decreto 3298/99). Analogamente ao que ocorre com a deficiência auditiva, a severidade da gagueira tem de ser levada em conta quando falamos de deficiência;
 O deficiente também é um cidadão, também é gente, e o enquadramento nesta condição não pode ser visto como algo ofensivo.

Lembrando que o projeto prevê a POSSIBILIDADE, e não a obrigatoriedade, de o gago usufruir do benefício, qual outra razão, que não o preconceito, teriam estes fonoaudiólogos para se oporem a que o gago decida individualmente se o benefício lhe convém?


(ps: os projetos estaduais são inócuos, já que a legislação sobre o assunto é federal.)


Paulo Amaro Martins
Pessoa que gagueja.




Comentários (13):
10/04/2015
21h36min
renata jesus (renata jesus)
oi meu nome e Renata tenho 20 anos sofro muito com gagueira desde meu 10 anos de idade arrumei meu primeiro emprego e tenho dificuldade pra fala com os crientes tem vez que eu pensor que as pessoas falam que eu sou doida chega ate chora pedindo a deus pra livra desta gagueira
30/08/2013
16h50min
debora (debora)
ola boa tarde,sou do interior da sao paulo,sofro d gagueira desde qd comecei a falar,herança da minha mae,tenho tios q sofre disso,sinto q as pessoas tem preconceito em meu ambiente d trabalho,sou motivo d piadas,risos,ja fiz fono duas vezes mais nunca terminei,e agora trabalho fik dificil ter q sempre ta saindo...e tem vez q n da pra guardar pra si msm,por isso og vim compartilha com pessoas iguais amim.
23/06/2013
21h25min
Milca (Milca)
Oi,tenho 28 anos e desde pequena sempre gaguejei, mas quando cheguei na idade de 8 anos parei e nunca mais gaguejei exceto as vezes quando fico muito nervosa acaba não saindo nada.Tenho uma filha que esta com 4 anos, ela nunca gaguejou mas depois que mudei de cidade ela começou a gaguejar, na verdade ela começa a falar tipo cantando a primeira vogal, mas depois ela termina a frase normalmente e muitas das vezes ela fala normalmente, isso seria gagueira?? Ja levei ela em uma fonoudiologa fez algumas sessoes em todas as vezes que levei segundo a medica ela não gaguejou e ela disse que talvez se colocasse ela na escola com outras crianças talvez melhoraria, por favor me ajude porque quando pequena sofri muito na escola com gagueira tenho medo que ela passe o mesmo ... não sei se levo ela em outra fonoaudiologa ou se este é um disturbio passageiro como o meu. Atenciosamente Milca.
30/04/2013
18h53min
Glaucia Lilian de Souza Costa (Glaucia Lilian de Souza Costa)
Me chamo Glaucia,sou da cidade de Sete Lagoas.Sou gaga e sofro muito preconceito.Já dei aula,mas abandonei minha profissão.Hoje estou desempregada.Gostaria de conhecer outas pessoas com o mesmo problema.Membros de minh família as vezes não conversam comigo,pois não tem paciência.Sofro muiiiito.
27/02/2012
15h00min
Evandro Franklin de Mesquita (Evandro Franklin de Mesquita)
Olá, Celso Almeida. Tb sou professor unisertário, tenho gagueira, gostaria muito de adqirir seu livro (Educação, obrigado pelo o meu falar).
08/05/2011
10h03min
Celso Almeida de Lacerda (Celso Almeida de Lacerda)
Prezados amigos e amigas. Sou professor universitario, convivo com a gagueira e estou lançando o livro: ¨Educação, obrigado pelo o meu falar¨Quero muito compartilhar com vocês esse momento de minha vida.Forte abraçoCelso Lacerda
03/05/2011
20h15min
Polliana dias xavier (Polliana dias xavier)
oi eu tenho vinte e seis anos mais sou gago nao consigo arrumar um emprego por causa da gaqueira e um preconceito pela populacao nao seis mais o que ue fasso me da uma diga por favor
24/10/2010
22h37min
Débora Rangel (Débora Rangel)
DEOCLECIANO,Não esqueça que O QUE você fala é mais importante de COMO você fala. Onde mora? Talvez tenha atendimento gratuito especializado na sua cidade. Veja no menu ao lado: Locais de Tratamento.
23/10/2010
20h46min
Deocleciano Santos Ribeiro (Deocleciano Santos Ribeiro)
Olá a todos!Também sou uma pessoa que gagueija e minha gagueira não é de "nascença", já prcurei muitos fono, mas nenhum me ajudou, sofro muito com isso agora mais ,pois estou no final do cruso de engenharia civil, mas tenho muito medo de enfrentar a vida profissional, ainda não sei como, mas quero superar pelo menos o medo que tenho e este constante sentimento de inferioridade.
07/09/2010
22h53min
Thila Taylor (Thila Taylor)
Olha... sou uma pessoa que tenho momentos de gagueira e isso sempre tem sido um incômodo em minha vida. Mas vendo o exemplo de pessoas como vcs que enfrentaram o medo de falar em público, me sinto muito fortalecida e encorajada! Parabéns!!
04/12/2009
09h47min
Jeane Rodrigues Nunes (Jeane Rodrigues Nunes)
Oi Melissa! Também sou uma pessoa que gagueja e sou professora! Tive algumas dificuldades para ingressar na profissão, mas consegui, dou aulas há cinco anos. Entra em contato comigo para conversarmos, ok? Beijo!
15/11/2009
17h20min
carla (carla)
meu filho antes ñ gaguejava mas há um tempo está caguejando e agora com mais intensidadde...será que tem solução pra isso?
31/10/2009
23h16min
Melissa Andrady (Melissa Andrady)
Muito bem Paulo, sou uma pessoa que gagueja, tenho curso superior em Pedagogia e nunca dei aula por causa disso. Eu também acho que nós deveríamos ter uma oporrunidade, hoje trabalho como faxineira. Devemos lutar pelo nosso lugar ao SOL.



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