
É um distúrbio na fluência e na temporalização da fala, segundo uma definição presente em dicionário especializado (*).
A fluência refere-se à suavidade, facilidade, falta de esforço com que sons, sílabas, palavras e frases são ligados durante a fala; para uma pessoa que gagueja, a produção da fala é uma atividade trabalhosa, não sendo automática a ligação entre sons, sílabas, palavras e frases como é para uma pessoa considerada normal.
A temporalização refere-se ao tempo de execução dos sons, sílabas, palavras e frases. Cada som da fala possui um tempo usual para ser dito. O que acontece na fala gaguejada é que alguns sons são pronunciados em um tempo maior que o habitual. Veja exemplos sobre estes dois aspectos no próximo par pergunta-resposta.
* NICOLOSI, L.; HARRYMAN, E. & KRESHECK, J. (1996). Vocabulário dos Distúrbios da Comunicação; fala, linguagem e audição. 3ª ed. Porto Alegre, Artes Médicas.
Os sintomas externos produzidos pela gagueira na fala de alguém podem ser listados da seguinte forma:
Existem outros comportamentos que podem ser utilizados por uma pessoa que gagueja na tentativa de mascarar a gagueira.
Os sintomas e as sensações são muito variáveis. Falando especificamente dos sintomas externos, a pessoa sente tensão muscular (no caso dos bloqueios) ou sente que não consegue mexer a língua ou os lábios (no caso dos prolongamentos e das repetições).
Além disso, a pessoa também pode sentir vergonha, raiva ou frustração por não conseguir falar como deseja.
Aproximadamente 1% das pessoas gaguejam. No mundo, são 60 milhões e no Brasil, são 1 milhão e seiscentos mil.
Não existe uma única causa. A gagueira é encarada atualmente como um distúrbio causado por vários fatores. Existe o fator genético, que geralmente faz com que mais de um membro de uma mesma família seja afetado. Existe o fator orgânico que se refere a situações onde o cérebro da criança foi agredido (por exemplo, partos muito demorados podem causar uma diminuição momentânea da oxigenação do cérebro do bebê e isso pode estar ligado ao aparecimento da gagueira no futuro). Existe o fator social, o qual pode ser favorável ao aparecimento da gagueira quando o ambiente familiar ou escolar é muito agitado, quando as pessoas falam muito rápido ou com uma complexidade lingüística muito maior do que é adequada à idade da criança. Por fim, existe o fator psicológico que pode fazer com a pessoa tenha insegurança ou medo na hora de falar; é importante deixar claro que alguns sintomas psicológicos são causa e outros são conseqüências da gagueira. Os modelos mais aceitos no meio científico, no entanto, consideram a causa da gagueira como multifatorial, ou seja, todos estes fatores estariam envolvidos, em maior ou menor grau (dependendo do caso).
Fatores psicológicos como timidez e insegurança podem contribuir para o aparecimento da gagueira, mas eles isoladamente não podem ser considerados como a única causa da gagueira. Também está correto dizer que timidez e insegurança são conseqüências da gagueira: a pessoa fica insegura, porque sabe de suas dificuldades na hora de falar.
Isso é um mito. Com os estudos científicos atuais é possível afirmar que a gagueira é causada por fatores genéticos, orgânicos, sociais e psicológicos, como foi dito na questão anterior. Outro mito que ainda persiste, é que a pessoa gagueja porque é nervosa, ansiosa; a ansiedade pode contribuir para o aparecimento e a perpetuação da gagueira, mas só ela não é causa.
As outras doenças que podem coexistir com a gagueira são principalmente do âmbito psiquiátrico, como transtorno depressivo, fobia social, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno bipolar e risco de suicídio.
Nós utilizamos a fala durante boa parte de nosso dia e para atingir objetivos específicos, como: transmitir informações, exercer influência e poder, oferecer soluções para problemas, cultivar o humor, refletir sobre a estética dos ambientes, estimular o pensamento. Uma pessoa que gagueja tende a falar menos e isso interfere quantitativa e qualitativamente nos objetivos atingidos. Vamos exemplificar. No ambiente de trabalho, se a pessoa fala menos, seus colegas e chefes poderão não saber quais são seus verdadeiros interesses (o que pode comprometer o cargo que a pessoa ocupa), ela pode não defender seus pontos de vista (fazendo com que colegas e chefes não saibam o quanto ela pode ser inteligente e coerente), pode não conviver socialmente com os colegas como gostaria (sendo considerado "o isolado"): isso tudo pode interferir direta ou indiretamente na remuneração financeira da pessoa que gagueja. No ambiente escolar, a pessoa que gagueja tende a participar menos durante as aulas, tende a não gostar de leituras em voz alta e provas orais, o que interfere em suas notas e no desenvolvimento de seu potencial. No ambiente familiar, a pessoa que gagueja pode participar pouco das decisões familiares e pode discutir menos sobre situações que a desagradam, fazendo com que se sinta frustada. Com esses exemplos, é possível perceber que a gagueira pode afetar muito negativamente a vida de uma pessoa.
Basicamente dificuldades durante a interação face-a-face ou por telefone, principalmente em interlocutores que ficam muito ansiosos ao ouvir uma fala gaguejada.
Sim. Interlocutores que apressam a pessoa que gagueja para falar, que desaprovam a fala gaguejada, que não prestam atenção à fala ou que completam as palavras que a pessoa não está conseguindo dizer podem piorar momentaneamente o nível da gagueira. Não tomando essas atitudes, o interlocutor já está ajudando a pessoa que gagueja.
Ainda não existe um método diagnóstico padrão usado mundialmente, mas esforços estão sendo feitos para que um protocolo comum seja utilizado por todos os profissionais que lidam com gagueira. Entretanto, o diagnóstico é feito através da contagem de quantas vezes em que a pessoa gagueja durante um certo tempo (5 minutos, por exemplo), quais os tipos de disfluências presentes na fala, se há ou não tensão e movimentos associados, análise do ritmo e da naturalidade da fala, descrição das percepções físicas da pessoa que gagueja durante sua fala, histórico de saúde e história familiar.
As crianças começam a falar por volta de 1 ano; se elas começarem a falar gaguejando e se o comportamento não desaparecer depois de 6 meses, a gagueira já pode ser diagnosticada. Portanto, os diagnósticos mais precoces situam-se por volta de 1 ano e meio.
Sim, vários. Os de linha fonoaudiológica tendem a enfocar a aprendizagem motora de técnicas a serem usadas durante a fala. Os de linha psicológica tendem a focar os aspectos emocionais que interferem na fala da pessoa que gagueja. Nas duas linhas existem bons tratamentos. A eficácia do tratamento depende da base teórica que o fundamenta, do profissional que o aplica e também da pessoa que gagueja (em termos do seu empenho ao tratamento e do quanto de participação genética e psicológica existe na gagueira daquela pessoa em particular). É bom lembrar que os tratamentos das duas linhas se complementam. Existe, no entanto, poucos profissionais especialistas no tratamento da gagueira.
Não. A opção pelo tratamento vai depender do nível de gravidade da gagueira, sendo que pessoas que apresentam um nível leve podem não achar o tratamento necessário, e do quanto o indivíduo acha que a gagueira prejudica sua vida, o que tende a estar diretamente relacionado ao nível da gagueira. Convém lembrar que algumas pessoas não se tratam por dificuldades financeiras.
As faculdades ou universidades que possuem cursos de graduação em Fonoaudiologia costumam oferecer tratamento gratuito. Uma outra possibilidade é procurar os postos de saúde e hospitais públicos.
Sim, desde que o tratamento seja aplicado antes da adolescência (12 anos, aproximadamente). A capacidade de aprendizagem do cérebro de uma criança é enorme, enquanto que a de um cérebro adulto é bem menor. A queda da capacidade cerebral de aprendizagem ocorre no início da adolescência e, por esta razão, é melhor que o tratamento seja aplicado antes dos 12 ou 13 anos. Esta capacidade de aprendizagem costuma ser referida como "plasticidade cerebral". O que ocorre quando a pessoa que gagueja se submete a um tratamento e obtém melhora, é uma mudança no funcionamento dos neurônios das regiões do cérebro envolvidos na produção da fala, os quais passam a funcionar de forma mais próxima à normalidade. É importante lembrar que estas informações foram baseadas em importantes pesquisas científicas e que, por ocasião dos avanços científicos, tais teorias poderão ainda serem modificadas.
O que uma pessoa que gagueja sente ao gaguejar?
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Uma pessoa não começa a gaguejar depois que leva um susto muito forte?
Quais são as outras doenças que podem coexistir com a gagueira?
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