
Hoje é o Dia Internacional de Atenção à Gagueira, um distúrbio da fala que, ao contrário do que grande parte da população pensa, na maioria das vezes não está relacionada ao fator emocional como única causa, mas sim a problemas genéticos. O tratamento feito por fonoaudiólogos pode trazer resultados significativos que transformem o gago em um comunicador efetivo.
A gagueira possui diferentes graus, mas todos podem ser tratados e melhoram. "A cura total é alcançada com mais freqüência em crianças, mas todos os pacientes tratados aprendem a assumir um certo controle sobre o problema e se tornam mais seguros", informou a professora doutora do departamento de fonoudiologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e responsável pela disciplina e estágio de gagueira, Cristiane Moço Canhetti de Oliveira.
O tratamento consiste em exercícios e técnicas que ensinam o paciente a utilizar a boca com movimentos mais suaves, a diminuir o ritmo da conversação e a ter uma continuidade maior da fala. "Quando a pessoa gaga tenta se controlar por conta própria, ela tente a tencionar a boca, ficar nervosa, o que agrava a manifestação", disse a fonoaudióloga. "Mesmo sem a cura absoluta, com as técnicas adequadas a portador deste distúrbio vai se tornar um comunicador efetivo, que fale quando quiser, com quem quiser e o que quiser", acrescentou.
O distúrbio acomete de 4 a 5% das crianças e menos de 1% da população adulta. De acordo com a profissional, 80% dos casos começam na infância, dos quais metade tem origem genética e a outra parte, desconhecida, pode estar ligada a fatores estressantes físicos ou emocionais. "Somente 20% dos casos surgem na fase adulta e podem ser causados por fatores emocionais, mas também neurológicos. Acreditamos que a gagueira é multifatorial, causada por mais de um motivo associado", considerou Cristiane de Oliveira.
Segundo a professora, a procura por fonoaudiólogos não acontece em muitos casos em função do equívoco de acreditar que as razões da gagueira são sempre emocionais. O CEES (Centro de Estudos da Educação em Saúde) da Unesp trata a gagueira gratuitamente e fica na unidade II do Campus, na avenida Iara Clube, n. 35. Para ser atendido é preciso se inscrever e aguardar uma vaga. A capacidade é de 25 pacientes por semana. "O tempo de tratamento é de seis meses a um ano, mas a fila de espera é pequena, está com três a quatro pacientes, e crianças não esperam", disse Oliveira. Segundo ela, as crianças são priorizadas porque o tratamento nesta faixa etária é mais rápido e mais eficaz.
Panfletagem
Na última segunda-feira (17), a equipe do CEES, entre estudantes estagiários e profissionais, realizou panfletagem sobre o tema nos dois supermercados Tauste, no Esmeralda Shopping e no Terminal Urbano. Foram entregues mil cópias do texto de orientação enviado pela Abragagueira (Associação Brasileira de Gagueira), que coordenou a realização de campanhas em quinze estados do país. O site para mais informações é www.abragagueira.org.br .
Fonte: Jornal da Manhã (Marília - SP)
Data: 22/10/05